Contexto

O atual modelo de desenvolvimento baseado no consumo intensivo de energia fóssil, combinado com as dinâmicas territoriais que tendem a concentrar a população nas áreas urbanas, coloca fortes desafios energéticos ao desenvolvimento das cidades do futuro.

Até 2050, prevê-se que 68% da população mundial viva em cidades – face aos atuais 55%, fazendo com que a descarbonização das cidades emerja como instrumental no combate às alterações climáticas.

O processo de descarbonização assenta na retirada faseada de combustíveis fósseis e na progressiva integração de fontes renováveis endógenas. Esta transição no setor eletroprodutor só é possível através da diversificação e complementaridade tecnológica associada à produção de renováveis, designadamente pela afirmação da produção solar centralizada e descentralizada nos ganhos de eficiência da produção eólica off-shore.

Propósito do projeto

O modelo energético de futuro configura-se, assim, na produção renovável que, sendo esta intermitente, implica a necessidade de armazenamento intermédio. Este armazenamento, por motivos de poupanças na distribuição, terá de ser feito de forma local nos próprios edifícios e integrado em microrredes inteligentes.

Para que tudo isto se concretize, o papel das baterias é central e lança inúmeros desafios.

As tecnologias de produção descentralizada de energia de fontes renováveis com possível armazenamento em baterias (como por exemplo, sistemas fotovoltaicos, turbinas eólicas, e sistemas inovadores de captura energética) ou de novas formas de armazenamento de hidrogénio - associadas a tecnologias peer-to-peer com sistemas integrados de gestão dinâmica de consumos - poderão conceder aos cidadãos poder de decisão, tornando-os, no limite, autossustentáveis, de forma isolada ou integrados em comunidades energéticas (microrredes).

Plano de Ação

O projeto Baterias 2030 compreende seis Produtos, Processos ou Serviços (PPS), quatro dos quais centrados em domínios técnico-científicos: PPS1 - Baterias de nova geração; PPS2 – Valorização do ciclo de vida das baterias; PPS3 – Tecnologias de produção descentralizada; PPS4 – Plataformas de gestão de energia, sendo que as tecnologias resultantes dos mesmos serão integradas e demonstradas num espaço urbano (PPS5); PPS5 – Laboratório vivo para a descarbonização, que pretende estabelecer uma comunidade energética assente numa microrrede hipocarbónica, que promove a substituição do consumo de combustíveis fósseis, e consequente redução de produção de CO2 no espaço urbano.